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A falta de um rumo claro da oposição beneficia o governo

O Tempo – 12/08/2015

 

As diferentes reações das lideranças da oposição à proposta de união nacional levantada pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB) revelam a indefinição da oposição em relação ao atual cenário. Embora o Congresso possa levar adiante o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff se o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitar as contas governo, a aposta nessa via perdeu força nos últimos dias.

Como a tramitação seria longa, provocaria um imbróglio jurídico. Além disso, a contabilidade do apoio ao impeachment ainda está longe de ser confortável para os seus defensores. Por isso, essa opção enfrenta fortes resistências da elite financeira, com seu impacto negativo na economia. Por isso, também o PSDB hoje reluta em assumir a defesa dessa via.

Outro dilema é que o impeachment via parecer do TCU levaria Temer ao poder. A participação num eventual governo do PMDB, embora conte com a simpatia do senador José Serra (PSDB-SP), encontra resistência entre os aliados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que enxergam aí um risco ao projeto de poder dos tucanos.

Caso o impeachment se torne inevitável, a preferência é que ocorra via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da condenação de Dilma e Temer por abuso de poder econômico na campanha da reeleição. Essa via teria o apoio de Aécio, dos líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), além do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Mas só será viável com revelações absolutamente extraordinárias no âmbito da operação Lava Jato.

Eles avaliam que somente a convocação de novas eleições seria capaz de unir o país, pois o futuro presidente necessitaria da legitimidade do voto popular. Por isso o PSDB utilizou suas inserções na TV para convocar a população a sair às ruas no dia 16 de agosto, numa tentativa de se conectar com essa parcela do eleitorado.

Já os tucanos próximos de Alckmin preferem que a sigla continue desgastando Dilma e aguarde até 2018. Eles acreditam que a abreviação do mandato de Dilma pioraria o clima social do país, pois o ex-presidente Lula e o PT utilizariam o discurso do “golpe” para aglutinar sua base social por meio de um argumento à esquerda, trazendo como consequência a manutenção da radicalização política.

Mesmo que o governo esteja muito fragilizado, a falta de um rumo claro da oposição o beneficia, o que, no limite, continua dando tempo para que ele reduza sua incompetência política e construa uma defesa mais eficiente do mandato de Dilma Rousseff.

Novo pacote Levy

Após almoço, na semana passada, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outras lideranças partidárias da Casa, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ficou de apresentar nos próximos dias uma pauta destinada a estimular a economia.

Os parlamentares demonstraram grande preocupação com os reflexos do ajuste fiscal no emprego. Por isso, cobraram do ministro uma agenda baseada nos seguintes pontos: infraestrutura, melhoria do ambiente de negócios e equilíbrio fiscal. O Senado gostaria que Levy empacotasse as medidas com uma nova embalagem, de forma que as bondades se sobrepusessem às maldades.

Antes da reunião com o ministro Levy, Renan garantiu que não haverá pauta-bomba no Congresso. Defendeu, por exemplo, a manutenção do veto à proposta que concede reajuste de até 78% aos servidores do Poder Judiciário.