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A política catarinense pós Luiz Henrique da Silveira

Notícias do Dia  online 16/05/2015

A morte do senador Luiz Henrique da Silveira (LHS) representa o fim de um ciclo na política catarinense. O Estado vive agora a fase pós-LHS. Essa período de transição traz uma série de incertezas. A principal delas diz respeito ao futuro da aliança PSD/PMDB.

Disposto a defender o legado de LHS e recuperar o protagonismo em SC (Santa Catarina), a candidatura própria do PMDB em 2018 parece inevitável. Embora ainda não haja um “candidato natural” para executar a tarefa.

Diante de um PMDB insatisfeito com o espaço no governo Raimundo Colombo, sem rumo e disposto a defender o legado de LHS, a manutenção da aliança com o PSD parece cada vez mais difícil.

Há ainda as pretensões do PSD. Colombo desponta naturalmente como a maior liderança do Estado. E deverá trabalhar para consolidar esse posto diante do vácuo criado pelo morte de LHS, principalmente agora que o governador terá mais autonomia.

O eventual fim da aliança entre PSD e PMDB representará uma alteração na correlação de forças que governa SC desde 2006, quando LHS construiu a Tríplice Aliança (PMDB, PSDB e PFL/DEM, depois PSD).

Em 2010, a coalizão foi preservada. Porém, o DEM passou a ser protagonista e o PMDB coadjuvante, na eleição em que Colombo foi eleito. Em 2014, com a saída do PSDB e o veto imposto pelo PMDB a entrada do PP na coalizão, a Tríplice Aliança passou a ser composta por PSD (criado a partir do DEM) e PMDB, entre outras legendas.

As modificações nas coalizões não é uma novidade. Em 1994, o PFL (hoje DEM), até então aliado do ex-PPR (hoje PP), rompeu com seu histórico aliado para apoiar no 2o turno a candidatura vitoriosa de Paulo Afonso (PMDB). Em 1998, o PFL voltou a apoiar o PPB (hoje PP), seu tradicional aliado, na campanha vitoriosa de Esperidião Amin (PPB), junto com o PSDB.

A diferença é que agora a modificação nas composições ocorrerá não por divergências políticas, mas por uma mudança estrutural, consequência da morte de LHS.

Com o PMDB sem seu líder e o PSD visando consolidar o protagonismo em SC, o centro nevrálgico da aliança parece em xeque. Caso o esgotamento se confirme, a tendência é um racha na aliança em dois polos. O aliado natural do PSD seria o PP, reconstruindo a aliança entre parceiros do passado. Já o PMDB estaria mais próximo do PSDB, embora o PT não possa ser descartado.

Sem LHS, o modelo de governabilidade estável, representado pela Tríplice Aliança, dará lugar a incertezas, típica do período de transição pela qual SC passa.