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Ação de Levy no Congresso facilita aprovação de ajuste, diz pesquisa

Valor Econômico 11/05/2015

Apesar da vitória do governo na votação da MP 665, que alterou as regras do seguro desemprego e do abono salarial, a relação do Congresso com o Palácio do Planalto deve permanecer tensa, o governo corre o risco real de sofrer novas derrotas no Legislativo, mas o esforço da equipe econômica para se aproximar mais dos parlamentares está surtindo efeito e pode assegurar a aprovação dos itens fundamentais do projeto de ajuste fiscal.

Essa é a principal conclusão de uma pesquisa feita pela empresa de consultoria Arko Advice com 100 deputados federais de 23 partidos políticos. A pesquisa é mensal. No último mês de abril, a sondagem mostra que a avaliação que os deputados fazem da maneira como a presidente Dilma Rousseff governa o país continua muito ruim, mas que melhorou um pouco a percepção da Câmara sobre o desempenho do governo.

Segundo os números apurados pela Arko Advice, 67% dos deputados desaprovam a maneira como Dilma governa, ante 65,68% no mês de março. Mas a média dada ao governo como um todo, na escala de zero a dez, subiu de 3,64 para 4,29. Aumento pequeno, é certo, mas que já reflete o envolvimento maior do ministro Joaquim Levy (Fazenda) com as negociações do pacote fiscal em tramitação no Congresso Nacional. “Em abril, o ministro Joaquim Levy e outros membros da equipe econômica participaram de alguns debates no
Congresso”, diz o analista sênior da Arko Advice, Cristiano Noronha, mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB). “Esse tipo de discussão ajuda muito para que os parlamentares entendam melhor o que acontece de fato na economia”.

Enquanto a avaliação da maneira de governar e a nota da presidente Dilma, que já eram ruins, apenas pioraram desde fevereiro, quando o novo Congresso tomou posse, os números referentes à avaliação da política econômica se moveram positivamente. Em fevereiro, apenas 8,82% dos deputados diziam que a política conduzida pelo ministro Levy era boa, percentual que permaneceu estável em março e agora foi a 12% dos entrevistados pela empresa de consultoria.

O salto é mais significativo entre aqueles que consideram regular a política econômica do governo: de 35,29% em fevereiro, 37,25% em março e 47% agora, no fim do mes de abril. O número dos que consideram ruim a política econômica caiu de 29,41% para 25% e o das que a consideram péssima, de 25% para 13%. Os números da equipe econômica ajudaram a nota do governo como um todo, que oscilou positivamente, em abril.

O conjunto da pesquisa Arko Advice, no entanto, demonstra que não se deve esperar por uma distensão no relacionamento do Congresso com o Palácio do Planalto, como poderia sugerir a aprovação da MP 665 e a própria melhora da percepção dos deputados sobre a política econômica. Segundo os dados da pesquisa, 59% dos deputados considera que a relação entre o Executivo e o Legislativo é ruim (39%) ou péssima (20%), enquanto outros 35% afirmaram que ela é apenas regular. E apenas 5% dizem que é ótima ou boa.

A pesquisa sondou a expectativa dos deputados sobre o futuro da relação, nos próximos três meses. A grande maioria respondeu que ela deve ficar como está (36%) ou piorar (23%). Menos mal para o governo é que subiu de 33% para 40% o percentual dos parlamentares que acham que a relação pode melhorar. Mas em fevereiro esse número era de 41% e a relação, desde então, piorou.

Para Cristiano Noronha, cruzandose todos os dados da pesquisa a conclusão é que o relacionamento entre o Palácio do Planalto continuará “tenso e necessitando de muito diálogo”. Para o cientista político, os dados mostram que “o legislativo poderá continuar impondo à presidente novas derrotas”, mas que essas derrotas “não devem envolver temas cruciais da agenda de ajuste fiscal, como a derrota nas medidas provisórias propostas pelo ministro Joaquim Levy, por exemplo”.