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Agonia do capitalismo tabajara

Istoé – 09/09/2016

Por Murillo de Aragão

 

Ao lado de empreendedores sérios e sofredores com a falta de crédito, carga e complexidade tributárias excessivas e burocracia angustiante, existem alguns privilegiados que sempre se deram bem com o acesso preferencial e obscuro aos mecanismos de poder.

Agora, a Operação Greenfield desvenda um pouco mais da promiscuidade dessas relações. O destaque da vez são os fundos de pensão, que, além de aparelhados pelos políticos nos últimos anos, fizeram péssimos negócios para seus beneficiários. E não é de hoje.

O episódio, apesar de trágico, traz várias consequências positivas. A primeira é o vertiginoso e obrigatório aumento da transparência nesses fundos daqui para a frente. O futuro indica que o dinheiro dos trabalhadores terá que ter uma gestão altamente profissional e com elevado grau de governabilidade.

Tal desdobramento leva a uma outra consequência: os fundos de pensão não servirão mais de muletas para programas de privatização inconsistentes nem para financiar aventuras político-empresariais. A aprovação do uso dos recursos desses fundos deverá ser submetida a severos escrutínios.

Não devemos, obviamente, generalizar. Muitas das operações desses fundos foram lucrativas. Outras, como mostrado no caso da Postalis, foram desastrosas. Fica a lição para os funcionários dessas estatais. Devem evitar que sua poupança seja usada em projetos furados.

A agonia do capitalismo tabajara já estava sendo promovida pela Operação Lava-Jato. Agora é agravada com a Operação Greenfield. Ambas estão conseguindo traçar, por linhas tortas, a revitalização do nosso capitalismo em direção a um modelo mais aberto, baseado em regras e não em privilégios, com menos intervenção estatal e maior segurança jurídica.

O impacto no futuro da economia será brutal. O Brasil poderá construir, daqui para adiante, um novo modelo de capitalismo, menos dependente do Estado e com menos relações, mais transparentes entre empresas, governo e meio político. No entanto, e como esperado, a transição não será fácil.

A realidade que se apresenta é cruel para o esquema moribundo. Porém, auspiciosa para a cidadania que deseja trabalho, renda e melhores serviços públicos. Cabe a nós acelerar as transformações.