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Assessores querem reduzir exposição de Lula em S. Paulo

Por Christiane Samarco

Colaboradores presidenciais e petistas com trânsito no Palácio do Planalto querem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva longe da campanha de Marta Suplicy (PT) para a Prefeitura de São Paulo e ele próprio já tomou a iniciativa de envolver-se o mínimo possível com a disputa paulista. Como o salto de popularidade do prefeito Gilberto Kassab (DEM) frente à candidata do PT está muito associado ao governador José Serra (PSDB), conselheiros do presidente e cientistas políticos advertem que a participação ostensiva de Lula no segundo turno antecipa o confronto com o tucano. Como o risco de derrota de Marta é iminente, o temor é “macular” sua imagem de grande eleitor em 2010.


“Esta imagem já saiu arranhada do primeiro turno”, afirma o cientista político Cristiano Noronha, da consultoria Arko Advice. Ele entende que a “vantagem absurda” de Kassab sobre Marta, associada a Serra como está, põe na mesa o enfrentamento direto com Lula. Em raciocínio semelhante, seu colega da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, avalia que virar o jogo em favor do PT na corrida pela prefeitura paulistana parece “missão impossível, por mais que o presidente se esforce”.


A avaliação predominante no PT é a mesma. Um dirigente que acompanha de perto esta disputa confessa que, para boa parte da cúpula petista, a eleição de São Paulo “já foi”. Tanto que, de acordo com a mesma fonte, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), tratou do assunto reservadamente com Lula e, na conversa, o presidente teria deixado claro que o apoio será “tímido”. O entendimento é que “pôr a cara” na eleição é dar a Serra a oportunidade “ímpar” de se cacifar como grande opositor que enfrentou e derrotou o presidente.


FOTO SIMBÓLICA


A ordem dos conselheiros petistas é não expor Lula em grandes eventos, como comícios. Isso explica o porquê de Lula ter se deixado fotografar, sorridente, ao lado de Serra e da titular da Casa Civil, Dilma Rousseff, quarta-feira, na véspera da divulgação da pesquisa do Datafolha sobre a eleição em São Paulo, mostrando Kassab 17 pontos à frente de Marta. O próprio PT avalia que foi ali que Lula começou a marcar seu distanciamento da disputa.


Todos concordam que as viagens internacionais anteriormente programadas para esta semana vieram em boa hora. Lula deve chegar a Madri hoje. Na quarta-feira, segue para a Índia e, na sexta, faz visita oficial a Moçambique. Voltará, portanto, a uma semana do segundo turno, marcado para domingo, dia 26. Em meio à crise econômica mundial que atormenta governos de todos os continentes, a prioridade do presidente não pode ser a prefeitura.


“O presidente agora tem muito mais elementos para avaliar até que ponto vale a pena participar ativamente de uma campanha”, avalia o cientista político Cristiano Noronha. Afinal, seja em São Bernardo do Campo ou em Natal, onde Lula se apresentou como cabo eleitoral e assumiu a linha de frente das campanhas, sua aprovação recorde beirando os 80% não se traduziu em votos, como temiam seus adversários.


(Estado de São Paulo – 13/10/08)