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Duros e famosos

Blog do Noblat – 14/08/2015

São Paulo deu a partida nas eleições de 2016 com três pré-candidaturas de peso, altamente midiáticas, para a prefeitura da capital: Celso Russomanno (PRB), José Luiz Datena (PP) e João Dória (PSDB). O Rio de Janeiro deve ter o não menos midiático Romário (PSB) na disputa.

O fenômeno dos famosos nas disputas eleitorais não é novo. Antes mesmo da redemocratização, nos anos 80, alguns famosos se elegeram a partir de sua prévia celebridade. Álvaro Dias, por exemplo, era radialista conhecido antes de se tornar político.

Moacir Franco e Agnaldo Timóteo eram cantores de razoável fama antes de se elegerem. Álvaro Dias resistiu e poucos se lembram de seus tempos de radialista.

Fica claro que a fama é uma porta larga para a entrada na política. Mas resistir na política somente com a fama não é suficiente. Muitos não conseguem ficar. Outros poucos, como Tiririca (PR) e Celso Russomanno, permanecem e conseguem se manter atuantes como celebridades e políticos.

Ter famosos na chapa para deputado sempre foi um caminho utilizado pelos partidos para alavancar votações. Agora, mais do que nunca, a tendência se destaca. Até mesmo pelo fato nefasto de que o sistema eleitoral está mantido e o voto proporcional também.

Assim, além das razões de sempre para se ter famosos nas chapas, a intensificação do uso desse recurso será uma consequência natural da falta de financiamento privado na campanha municipal do ano que vem.

A lógica é a seguinte: com o escândalo do Petrolão, espera-se uma grande retração nas doações – por dentro por fora. Doações de empreiteiras e construtoras, bem como de fornecedores de prefeituras e governos, poderão ser vistas com desconfiança.

As empreiteiras tradicionais, em especial as envolvidas na Operação Lava-Jato, estão fora do jogo e não devem participar de forma relevante nas campanhas. Doações significativas, se houver, deverão ser encaminhadas para os partidos. E olhe lá!

Para piorar a situação, o quadro recessivo na economia atrasa obras e seca recursos que tradicionalmente os fornecedores de governos municipais costumam doar. Obras que deveriam ser inauguradas às portas das eleições podem se atrasar. Tudo por conta do aperto fiscal do Governo Central.

Invenções como a candidatura do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na eleição passada vão ficar mais difíceis de acontecer. A escassez de recursos prejudica nomes que precisam de campanha cara para se tornar conhecidos.

Sem dinheiro para turbinar desconhecidos, a saída mais evidente será apelar para famosos. Personalidades amplamente conhecidas da população que tenham um piso inicial de votos respeitável serão bastante atraentes para os partidos.

Para a democracia, não é o ideal. Mas é, certamente, um momento de transição que poderá resultar em campanhas mais austeras e menos poluídas pelo abuso do poder econômico.

Outro vetor importante que ajuda as candidaturas midiáticas é a conjuntura política atual, cuja característica, sobretudo nos grandes centros urbanos, é a forte rejeição ao sistema político tradicional.