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Orçamento de 2016 e recuo da CPMF afetam credibilidade

Jornal do Brasil – 31/08/2015

Na opinião de analistas ouvidos pelo Jornal do Brasil, tanto o anúncio de déficit no Orçamento de 2016 quanto o recuo do governo na tentativa de recriar a CPMF provocaram ruídos nos cenários político e econômico.
Para o cientista político Cristiano Noronha, da consultoria Arko Advice, do Distrito Federal, o ficou patente nos últimos dias foi a indefinição de planejamento seguida de problema na comunicação entre o que poderia vazar e o que deveria ter sido mantido como assunto confidencial.

“O que fica parecendo é que o governo tenta jogar uma ideia para ver a reação. Se percebem que a reação não é forte, então seguem em frente. O governo tem agido na base da tentativa e erro. Sem dúvida que isso causa desgaste político. Na comunicação, fica essa questão do vazamento de informações sem que isso tenha sido combinado”.
Para a economista e pesquisadora da FGV/Ibre Vilma da Conceição Pinto, não houve contrapartida no âmbito da receita, enquanto novas despesas foram acrescentadas nos últimos anos. “Vimos, por exemplo, a desoneração da folha de salários, com custo passado para a previdência, sem contrapartida de receita”.
A pesquisadora da FGV afirma que tudo isso mexe com a credibilidade da economia e o governo deve perseguir um ajuste de mais controles de gastos. Ela admite, porém, que a volta atrás em relação à CPMF não está exclusivamente na conta do Executivo, mas nas resistências do Congresso. “O recuo está mais vinculado a pressões políticas que a questões econômicas”.