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Políticos caminham em campo minado

O Tempo – 05/08/15

 

O segundo semestre começa com o governo tão ou mais atrapalhado do que antes do recesso. A única decisão relevante foi reduzir a meta de superávit primário. Pedra cantada nos idos de fevereiro pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e pelo senador Romero Jucá na reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na época, eles disseram que o ajuste seria insuficiente e que a meta não seria alcançada.

A gestão da decisão foi trágica. Houve avanços do Congresso na questão seguidos de negativas do governo. Quando este decidiu, o que era para ser uma acomodação da meta passou a ser quase uma não meta.

A reunião da presidente com os governadores foi monótona – uma mesa apertada com a desnecessária presença de ministros para discutir com os governadores algo que não fora combinado. Na saída, declarações tímidas. Foi quase um não evento. Não chegou a isso porque é sempre bom que a presidente da República converse com os governadores de forma institucional.
No Congresso, a confusão é geral. O presidente da Casa, Eduardo Cunha, está aos poucos “metabolizando” a raiva que dedica ao governo por seu eventual envolvimento com as denúncias da operação Lava Jato. Prometeu o apocalipse. Não conseguirá entregá-lo no curto prazo, mas continuará a criar problemas.

Além de atacar o governo, Cunha tenta paralisar a Procuradoria Geral da República. Entre os parlamentares também se teme o conteúdo da suposta lista de denunciados pela PGR ao Supremo Tribunal Federal, o que teria potencial para deteriorar ainda mais o relacionamento do Congresso com o Planalto.

Tudo seria previsível se o mundo político não estivesse, como está, andando em campo minado sem detector e sem mapa. A qualquer momento, alguém pisa em um explosivo e vai pelos ares. A extensão da incerteza é cada vez maior à medida que aumenta o número de delatores da Lava Jato. A possibilidade de o ex-diretor da Petrobras Renato Duque firmar um acordo de delação premiada acende muitos alertas no PT e no governo.

Assim, agosto promete mais incerteza no mundo político. Neste mês, o Tribunal de Contas da União se posicionará em relação às pedaladas fiscais; e está na agenda a realização de um novo protesto popular, no dia 16. Sem falar no risco de o Tribunal Superior Eleitoral levantar dúvidas sobre a correção das contas da campanha de Dilma no ano passado.

PT x PSDB: batalha de mídia. O PT levará ao ar, na próxima quinta-feira, 6, seu programa partidário, com dez minutos de duração, em rede nacional. A propaganda será apresentada pelo ator José de Abreu.

Os petistas dirão que, apesar do cenário econômico adverso, o Brasil hoje está melhor do que há 13 anos, quando era governado pelo PSDB. Mesmo apostando novamente na comparação dos legados Lula/Dilma Rousseff com FHC, o tom será mais sutil que o empregado na campanha presidencial do ano passado. Não haverá referências à operação Lava Jato.

Apesar de saber dos riscos de novos panelaços, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula aparecerão no programa com uma mensagem otimista.

Ciente da velha tática petista de comparar legados, o PSDB se antecipou na semana passada e apresentou seu antídoto nas inserções com 30 segundos que levou ao ar. Apostando na imagem do senador Aécio Neves (PSDB-MG), os tucanos tentaram dialogar com os grupos que defendem o impeachment de Dilma, dizendo que “o PSDB sabe ouvir as ruas”.